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Mexer o corpo para organizar a mente: a importância do desporto na infância e adolescência

Nos tempos atuais, perante estilos de vida cada vez mais estruturados e exigentes,
muitas famílias questionam-se sobre a importância de estimular os seus filhos para a
prática desportiva e sobre os benefícios que esta poderá trazer para o seu
desenvolvimento, sobretudo face às dificuldades na gestão das agendas, à escassez de
tempo para atividade livre, à menor exploração de novos interesses, à procura de um
hobby ajustado ao perfil individual de cada criança e jovem e à crescente tendência para
o isolamento.
Mas a resposta é clara e inequívoca: SIM! o desporto é benéfico. Felizmente, existe uma
consciência crescente de que a prática desportiva constitui uma ferramenta
preponderante na promoção da saúde mental, do bem-estar e de um estilo de vida
saudável, funcionando também como um importante fator protetor face aos riscos
associados à inatividade física das novas gerações.
É consensual que o desporto proporciona ganhos significativos ao nível da saúde física
e do desenvolvimento de competências sociais, como a cooperação, o respeito pelas
regras e o sentimento de pertença. Contudo, importa igualmente salientar o seu impacto
no desenvolvimento cognitivo e emocional. A prática regular de exercício físico assume
um papel relevante no desenvolvimento saudável do cérebro das crianças e jovens. Ao
participarem em atividades desportivas, são desafiados a tomar decisões rápidas,
antecipar movimentos, ajustar estratégias e coordenar o corpo com a informação que
recebem através dos sentidos. Estes desafios estimulam a atenção, a memória e a
capacidade de resolução de problemas, facilitando os processos de aprendizagem e a
concentração.
O desporto treina ainda as chamadas funções executivas, competências essenciais para a
vida quotidiana, como o controlo de impulsos, a gestão emocional, a manutenção do
foco e a capacidade de adaptação à mudança. O carácter dinâmico dos jogos, as regras e
os momentos de cooperação e competição exigem que a criança pense antes de agir,
respeite limites e ajuste o seu comportamento, promovendo a autorregulação. Durante
estas experiências, o cérebro ainda em fase de desenvolvimento, liberta substâncias que
favorecem o foco, a motivação e o autocontrolo, contribuindo para um funcionamento
cognitivo mais eficiente.
Consequentemente, as crianças que praticam desporto de forma regular tendem a revelar
maior organização, menor impulsividade e uma melhor capacidade para lidar com
desafios. Mais do que um simples gasto de energia, o desporto contribui para o
desenvolvimento de um cérebro mais equilibrado, atento e preparado para aprender,
com impacto positivo no bem-estar global e no crescimento saudável. Paralelamente,
atua como uma verdadeira “balança” do sistema nervoso autónomo, promovendo o
equilíbrio entre os estados de ativação e de calma. A alternância entre esforço físico e
recuperação ensina o organismo da criança a gerir o stress de forma adaptativa,
reduzindo a reatividade emocional, a impulsividade e a ansiedade.
Quando praticado num contexto ajustado à idade, sem exigência excessiva e com foco
no prazer, o desporto contribui para uma melhor qualidade do sono, maior estabilidade
emocional, comportamental e uma maior capacidade para lidar com a frustração e raiva.
Assim, mais do que um meio de gastar energia, o desporto na formação constitui um
verdadeiro treino de autorregulação neurocognitiva, onde o corpo ajuda a organizar a
mente, promovendo saúde, satisfação e desenvolvimento integral.
Dito isto, apelo a que incentivem os vossos filhos à prática desportiva, encarando-a
como um investimento no seu bem-estar emocional, social e cognitivo, bem como no
seu futuro. Neste percurso, a Psicologia do Desporto, desenvolvida no âmbito do
NIITE, assume um papel fundamental ao apoiar crianças e jovens na descoberta da sua
motivação, no aumento do autoconhecimento e na identificação de um perfil desportivo
individualizado, respeitando as suas características, interesses e necessidades, e
promovendo uma relação saudável e duradoura com o desporto.
André Giesta (CP: 2279), Mestre em Psicologia do Desporto e Exercício Físico